11 - Modelagem na velocidade da visão

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sab, 01/10/2005

Série Explorações Mente e Cérebro

Como seres humanos, rapidamente nos aproximando do início do próximo milênio, nós estamos diante do maior desafio da historia da humanidade. A cada dia que passa, campos como o Fuzzy Expert Systems ou a nanotecnologia fazem o quantum andar a passos largos na construção de máquinas que podem pensar mais rapidamente e aprender tudo a velocidades inalcançáveis pelo cérebro humano. Tecnologias recentes já deram origem a sistemas expertos capazes de realizar diagnósticos médicos mais ligeiros e muito mais acurados do que aqueles produzidos pelo computador biológico de 1 quilo e meio que nós carregamos na cabeça. Fuzzy Systems Tecnologies está desenvolvendo carros capazes de se auto dirigirem com segurança e fornos de micro ondas capazes de ajustes independentes que irão reconhecer o tipo de comida colocada e cozinhá-la de forma apropriada. Avanços recentes na nanotecnologia afirmam que circuitos como os dos computadores irão, em breve, ser capazes de substituir partes do cérebro e funções cerebrais que foram perdidas devido a derrames e outras formas de danos no cérebro. Todos os dias grandes corporações estão reduzindo seu tamanho pela substituição de seres humanos por máquinas computadorizadas capazes de fazer o trabalho com mais precisão, com maior custo benefício e a grandes velocidades, sem necessitar de intervalo para o cafezinho ou oito horas de sono, nem férias. Nós estamos controlando o futuro das máquinas ou são elas que estão controlando o futuro dos seres humanos? Qual é o desafio?

O desafio é que nós, como seres humanos, precisamos começar a dar o mesmo tempo, energia e foco para a aceleração do desempenho humano ou estaremos destinados a ficar obsoletos. Assim qual é a resposta? É a Modelagem e Engenharia do Desempenho Humano.

O que nós precisamos, para contornar o desequilíbrio entre o homem e a máquina, é descobrir métodos mais precisos para capturar, codificar e transferir a vivência da expertise humana e do desempenho superior. Modelar e estimular o desempenho humano superior com a intenção de transferir o modelo de volta para ouros humanos, e não para os computadores, é o único caminho para preservar o talento coletivo da raça humana e ficar em iguais condições em relação ao avanço das máquinas. A Modelagem e a Engenharia do Desempenho Humano é o único caminho para minerar e cultivar os recursos ardilosos bloqueados no cérebro humano vivo. Diferente das máquinas, se o ser humano morrer, o banco de dados acumulado durante a sua vida não poderá ser transferido. O tempo para modelar e estimular a excelência é enquanto estiverem vivos os grandes pensadores, leitores, inovadores, cientistas, terapeutas, professores e pais.

Para se comprometer com esse desafio e a persuadir todo mundo para constantemente aumentar o nosso pool de competência coletiva, nós precisamos afiar as nossas habilidades de calibração como a lâmina de uma navalha. É altamente improvável que um professor, pai ou o gerente de uma empresa vá percorrer a sua esfera de influência roubando impiedosamente modelos de perspectiva com um equipamento portátil de PET Scan ou NMRI. A fim de satisfazer esse desafio, nós necessitamos aguçar os nossos próprios receptores de calibração incorporados pelos padrões que ocorrem ao mesmo tempo pelo rastreamento entre as atividades das imagens do cérebro e as pistas macro observáveis e micro comportamentais exibidas pelos seres humanos durante o pensamento, o ato de criar, resolver problemas e assim por diante. Por esta razão vamos continuar a aumentar o seu conhecimento de neurofisiologia, pois assim podemos nos tornar detetives de padrões mais efetivos.

Acreditava-se há muito tempo que, embora todas as outras submodalidades podem ser escaladas analogicamente, a distinção entre as memórias associadas e as dissociadas era digital. Isso não é assim, apesar de que a linguagem a tornou autêntica. Essa distinção nos seria conveniente para modelar e simular no nível da neurofisiologia.

Em primeiro lugar, quando nós recordamos uma memória, você somente pode fazer isso de uma maneira...associada. Essa distinção foi apontada muitos anos atrás por Wyatt Woodsmall na sua monografia sobre estratégias. Por que ele estava certo na sua suposição? Porque, quando o cérebro humano codifica o dado sensorial através do sistema visual, ele faz um mapa espacial atual, exatamente igual ao que os olhos vêem usando os receptores da codificação do movimento, os receptores magno celulares. O cérebro grava um filme do evento como foi visto através dos seus olhos. Você não poderia estar na imagem codificada a não ser que você estivesse de pé na frente de um espelho. Quando o cérebro recorda esse evento, o padrão original da atividade sináptica se auto organiza espontaneamente e o resultado é uma representação da experiência. Se você tiver que recordar esse evento de uma forma dissociada visualmente, você se vendo na imagem, seria preciso você ativar primeiro a imagem do evento real, e depois ativar a representação de você mesmo se vendo originalmente na fotografia ou no espelho. Depois de colocar ambos na memória de trabalho no córtex pré-frontal, você poderia depois usar os caminhos parvocelulares do sistema visual para sobrepor a imagem de você mesmo na imagem do evento. Esse função é obviamente uma construção visual, e não memória visual. Uma vez você tenha efetuado essa operação, você pode pegar o produto final da memória visual dissociada e guardá-la na memória. Mais tarde, você pode se lembrar dessa imagem e ela vai lhe parecer conhecida, como uma memória. Mas, não é a memória do evento verdadeiro codificado pelos receptores sensoriais; mais propriamente, é uma representação codificada de um processo mental que você executou internamente na memória de trabalho durante ou depois do evento. Por essa razão, você pode assumir que qualquer memória que você tem onde você se vê na imagem, é uma representação incorreta da realidade. Como ela era o resultado de um processo de construção visual na memória de trabalho, competindo dinamicamente por espaço com as representações sensoriais que chegam no córtex de associação, ela foi alterada para sempre.

Naturalmente essa distinção não poderia ter sido feita pelo uso das habilidades de calibração comuns visto que nunca tinha sido feita antes uma distinção entre sendo associada visualmente e sendo associada cinestesicamente. Nós tendemos a julgar que alguém está associado pela sua reação cinestésica. Isso pode ser muito enganoso. Nós assumimos incorretamente que a reação cinestésica mais intensa está conectada com associação de uma memória. Facilmente nós podemos criar um contra exemplo para isso. Mas primeiro nós devemos explorar como as imagens visuais causam trocas de intensidade no sistema cinestésico (somatosensorial).

Nós controlamos a intensidade nesse caso através da propriedade da função cerebral chamada de codificação da população. Isso já foi discutido num artigo anterior. O principio da codificação da população afirma que quanto maior é a população de células nervosas que transportam a representação sensorial, mais intensa a reação. Nós usamos, naquela ocasião, o exemplo de alguém que se queima. A intensidade da mensagem de dor transportada para o cérebro seria maior se você tivesse queimado a sua mão do que se tivesse queimado dois dedos, mesmo que ambas fossem de segundo grau. A única diferença é o numero de neurônios transportando a mensagem para o cérebro. Através do princípio da sinestesia, o sistema visual tem esta mesma capacidade. Quando você se recorda de um evento como foi visto pelos seus olhos, se decodificado exatamente como foi codificado, a imagem seria panorâmica, utilizando todos os campos da memória disponíveis (células piramidais) no córtex pré-frontal, bem como a atual área mapeada espacialmente do córtex visual, V1. Consequentemente, a imagem iria transportar uma mensagem intensa para o sistema somatosensorial. Para nosso contra-exemplo, nós poderíamos duplicar o mesmo nível de intensidade somatosensorial (cinestésico) pela ampliação de uma imagem dissociada pois assim ela também vai ocupar todo o seu campo visual e usar todas as células piramidais disponíveis para a representação. O que nos permite alterar tão facilmente a intensidade cinestésica numa imagem dissociada, é que ela pode ser representada no córtex pré-frontal em qualquer tamanho e em qualquer local, ao contrário de uma memória real. Assim, a fim de reduzir em tamanho uma memória, ou colocá-la num local diferente, nós precisamos sempre construir visualmente uma nova representação. Na realidade então, a variação na intensidade cinestésica é realmente causada pela escalada analógica de tamanho (codificação da população) e de local (utilizando várias áreas da citoarquitetura) e não a distinção digital previamente aceita.

Assim como nós podemos usar essa informação sobre o processamento cognitivo para a modelagem, a simulação e a engenharia do desempenho humano? Uma maneira é perceber que quando uma pessoa faz uma imagem dissociada, ela não está recordando uma memória real. Dessa maneira é vital retroceder o processo de construção visual para descobrir o que foi juntado originalmente para criar a imagem resultante. Isso irá ter um efeito maior no desempenho humano, especialmente quando transferindo um modelo. Para os terapeutas, esse conhecimento é benéfico para decifrar o que está acontecendo nas questões de falsa memória. Aqui repousa o verdadeiro mecanismo que faz possível a falsa memória. Um outro modo em que podemos usar isso, é quando instalamos uma habilidade importante, especialmente uma habilidade motora. A ultima etapa de um processo de instalação deveria ser de repetição e de reforço na imagem associada visualmente, pois assim o corpo centrado correto, as conexões motoras dos neurônios dependentes da atividade podem ser estabelecidas através da ideação motora na área motora suplementar e no córtex pré-motor. Se isso é feito corretamente desde uma posição associada visualmente, coordenadas motoras centradas no corpo serão mais facilmente estabelecidas e conectadas no córtex motor. Leve isso em conta da próxima vez que fizer uma ponte ao futuro com qualquer habilidade que você espera ser capaz de fazer numa data futura.

Naturalmente, isso também lança luz no que faz a dissociação V/C como uma técnica poderosa para tratamento do trauma e da fobia. Uma vez que a imagem construída na memória original é repensada e aceita como memória, ela pode não ter mais o mesmo impacto. Além do que essa nova imagem agora tem a capacidade de ser escalada para qualquer tamanho e movida para qualquer parte do campo visual. Paradoxalmente, você pode ter percebido que uma imagem pequena locada para baixo e a direita pode ter tanto impacto cinestésico como um imagem grande que enche completamente todo o campo visual. Eu o desafio agora para pensar em outros modos em que você pode usar essa informação para se tornar mais preciso nos seus esforços de modelagem e engenharia do desempenho. Se você decidir aceitar essa missão, você pode descobrir-se modelando na velocidade da visão.

Artigo publicado na revista Anchor Point de janeiro de 1997
Tradução publicada no www.golfinho.com.br em OUT/2005

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