Estratégias de decisão, um ponto importante na recuperação de viciados

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ter, 12/02/2013

Linhas do tempo e tomada de decisão

Em 1993, juntamente com Elisabeth, nós planejamos um seminário de 5 dias para alcoólatras, usando a PNL e o nosso background em Gestalt bem como submodalidades cinestésicas que estavam praticamente desaparecidas nos treinamentos que tínhamos de PNL.

Começamos usando o modelo de partes descrito no livro Resignificando (capítulo 6). Nós costumamos seguir o processo descrito no livro:

  1. Eliciar as 2 partes dissociadas: a parte alcoólica (PA) e a parte sóbria (PS).
  2. Fazê-las colapsar usando ancoragem ou qualquer outra coisa que funcione.
  3. Ressignificar a nova parte (PA + PS) usando as 6 etapas da ressignificação.

Na maioria das vezes, obtivemos um bom resultado. Mas, poucos meses depois, parece que alguns pacientes voltaram ao seu hábito. Então, levando-os de volta para sessões de follow up, descobrimos que o problema eram as estratégias de tomada de decisão deles. Em outras palavras, "o que eles fazem na sua mente para tomar a decisão de tomar um drinque?".

A estratégia era bem simples:

  1. Ver a imagem deles tomando um drinque ou estando bêbado.
  2. Associá-los à imagem.
  3. Disparar um processo de compulsão.

Observações

Se nós assumirmos que pessoas viciadas têm duas partes muito, muito dissociadas (a parte viciada e a parte sóbria), podemos dizer:

  1. Elas estão vendo a imagem da parte viciada delas (PA).
  2. Quando estiverem se associando à imagem, elas estarão passando para a parte viciada delas.
  3. O processo de compulsão é iniciado na parte viciada delas.
  4. O vício em si poderia ser uma maneira de permanecer o maior tempo possível na parte que nós chamamos de viciada. Como os alcoólatras costumam trocar entre as duas partes, de uma para outra (dependendo que horas são ou do que dia é hoje), as pessoas viciadas em heroína geralmente costumam permanecer na parte viciada fazendo com que desapareça a parte sóbria.
  5. Geralmente essa estratégia de decisão não é usada apenas para decidir tomar ou não um drinque (ou qualquer coisa que elas precisem), mas também usada numa ampla gama de decisões, envolvendo diferentes áreas de suas vidas.

O que nós fizemos

No seminário, enquanto estávamos eliciando as estratégias de decisão, tivemos a ideia de treinar os participantes para usarem diferentes configurações da linha do tempo, quando estivessem tomando decisões.

Segmentamos o processo de decisão em três etapas:

  1. Refletir sobre a decisão.
  2. Avaliar a decisão.
  3. Tomar a decisão e traduzi-la em ação para obter o resultado.

Para cada etapa, nós os ensinamos a usar uma linha do tempo diferente.

  1. Estar dissociado do tempo e olhar para toda a linha do tempo que está na sua frente e ser capaz de ver todas as consequências futuras da sua decisão.
  2. Estando associado ao seu presente e olhando a sua linha do tempo estabelecida como um V - passado no seu lado esquerdo e futuro no lado direito, ser capaz de ver as consequências com maior precisão e ser capaz de julgar a importância do seu futuro comparando com eventos passados similares.
  3. Mover a sua linha do tempo do passado para trás e a do futuro para frente, e agora ser capaz de ir atrás!

Essa instalação da tomada de decisão funcionou bastante bem com diversos pacientes. Alguns voltaram ao seu hábito por algum tempo, depois pararam de novo como se tivessem feito a escolha e estão afastados de seus hábitos até agora.

Considerando que pessoas viciadas tomam suas decisões de tal forma que as reconduz diretamente ao seu hábito, Richard Bandler nos ensina que temos que destruir literalmente a antiga forma de tomar decisão e nos ensina como fazer isso.

A metáfora neuronal

Também poderíamos considerar essa situação com outras palavras: podemos dizer que elas têm os seus neurônios conectados de tal forma que toda a informação contida em um estímulo em particular é processada rápida e eficientemente por um conjunto especial de neurônios. Esse conjunto de neurônios eficiente, experimentado e poderoso está levando a pessoa a reagir ao estímulo – estar viciada.

Nesse ponto, o fato é que, mesmo que estivéssemos ensinando a pessoa a ter diferentes estratégias de decisão, a antiga estratégia poderosa ainda estaria lá. Em outras palavras, mesmo que estabeleçamos um outro feixe de neurônios para processar a nova estratégia, o antigo conjunto de neurônios ainda estaria pronto para funcionar, mais poderoso, mais treinado, mais rápido (de novo mais rápido porque a antiga estratégia é uma estratégia limitada). Por essa razão, existe uma grande chance dessa estratégia antiga voltar, especialmente numa certa situação critica em que reações rápidas sejam necessárias.

A pessoa geralmente passa a vida toda treinando os seus neurônios para desempenharem uma compulsão com eficiência. Então, "destruir" o antigo conjunto de neurônios faz sentido como a única solução para evitar que a pessoa volte ao seu hábito, se alguma coisa ativar o antigo padrão de decisão. Na realidade, o conjunto neuronal não será destruído: vamos pedir que a pessoa faça algo, e aí ela se afastará do velho padrão em vez de ativá-lo.

A estratégia de decisão típica de um viciado

Richard Bandler e Michael Breen nos ensinaram e nós já percebemos: os viciados elaboram a sua decisão olhando para a imagem dissociada deles. Na maior parte do tempo, essa imagem ainda é uma imagem pequena (não quero dizer sempre, mas...). É uma boa imagem deles antes ou exatamente na hora que começaram a beber. Ou de logo depois que eles pularam para dentro da imagem e operaram a compulsão. Eles poderiam dizer algo na cabeça deles como "Oh! Que legal!" ou algo assim, e aí eles pulam para dentro da imagem.

A estratégia é fácil, rápida, conveniente, eficiente e pode propiciar alívio rápido. Então, não podemos apenas confiar em estabelecer uma estratégia de decisão "melhor". O essencial seria prevenir que o paciente retorne à antiga estratégia de decisão.

Essa imagem não tem nenhum conteúdo sobre qualquer das consequências do hábito deles. Então, a única solução é forçar o cliente a fazer imagens das consequências.

Fazer as imagens e juntá-las num filme

Agora temos que fazer certas perguntas ao cliente que irão conduzi-lo, passo a passo, a fazer imagens internas do que acontecerá se ele beber de novo. O Penelista precisa manter o paciente dissociado dessas imagens. Nós precisamos reunir as imagens até chegarmos à mais terrível, como acabar na cadeia, morrer, se divorciar, ser internado num hospital para doentes mentais, etc. Essa deve ser a derradeira imagem.

Quando conseguirmos todo o conjunto de imagens, pedimos que o cliente, na ordem certa, junte-as todas num filme.

Associando o cliente no filme

Essa é a última etapa. Ela tem que ser realizada cuidadosamente dentro de um certo ritmo. O cliente precisa ser conduzido o tempo todo sem espaços vazios.

Você precisa pedir ao seu cliente para rodar o filme na frente dele, permanecendo dissociado até a última imagem. Assim que o filme parar na última imagem, você precisa fazer com que o seu cliente pule para dentro dessa ultima imagem, horrorosa, e permaneça associado, apenas perguntando: - Você realmente quer isso?

Nesse ponto, você precisa ter uma reação muito forte do seu cliente tanto verbalmente: "Oh! Não, não! Isso não!", como não verbalmente: apenas calibre.

Se você perguntar ao cliente sobre seus sentimentos, ele poderia dizer que se sente realmente ansioso e que não pode permanecer dessa maneira, ou poderia dizer que precisa de alguma outra coisa. Richard diz que você tem que literalmente INTIMIDAR o seu cliente.

Então está na hora de instalar alguma coisa. Está na hora de perguntar ao paciente o que ele realmente quer da vida? Está na hora de fazer o trabalho de mudança, está na hora de instalar novas estratégias. Nesse ponto, eu acho que nós podemos usar tudo desde hipnose até PNL ou DHE; vai funcionar, as mudanças irão durar, especialmente com pessoas "relutantes". Agora eles realmente precisam de alguma coisa. Então você tem que ajudá-los a aprender algo valioso, do contrário eles podem aprender a ser viciados em outra coisa (!!!).

Conclusão

Na realidade, todo esse processo pode ser reduzido a: como instalar uma reação fóbica contra "vamos para a minha decisão habitual". Em outras palavras, nós podemos dizer que o paciente se tornou fóbico em relação a um conjunto especial de neurônios. O cliente não vai mais usar a velha maneira de tomar uma decisão viciada. Dependendo de quão ampla seja a área de decisão, você terá que instalar imediatamente pelo menos uma estratégia de decisão nova. Você pode instalar o tipo de estratégia descrito no meu artigo anterior ou você pode desenhar uma estratégia especifica feita sob medida.

Nós testamos todo o processo descrito nesse artigo e ele funciona. Nós achamos que cada terapeuta bem treinado pode usá-lo com sucesso. Esse processo não é dedicado a pessoas que tenham um conjunto específico de habilidades ou as singularidades de Richard Bandler.

Nós assumimos que os benefícios desse processo irão durar mesmo se não tivermos nenhum acompanhamento futuro.

Bernard Frit technical assistance Elisabeth Frit.
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Traduzido de: Decision Strategies: A major point in addictions recovery, o site original é em francês, LA TEMPÉRANCE - temperance.com

Tradução JVF, direitos da tradução reservados.

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