O autocontrole é uma habilidade?

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qui, 22/10/2015

Muitos clientes e estudantes de PNL trabalham as questões de autocontrole. Eles querem se exercitar mais, escolher alimentos saudáveis, ter pulmões limpos (deixar de fumar), beber razoavelmente, manter as unhas longe da boca, manter a raiva sob controle, etc. Em nossas sessões de PNL trabalhamos com a pressuposição básica de que nós temos todos os recursos de que precisamos para nos ajudar a criar novos hábitos, pensamentos, comportamentos e sentimentos.

No livro de Walter Mischel, “The Marshmallow Test: Mastering Self-Control” (O teste do marshmallow: dominando o autocontrole, em tradução livre), ele descreve as pesquisas que começaram nos anos 1960 e depois continuaram como um estudo  para pesquisar o autocontrole ao longo do tempo. O projeto básico da pesquisa oferecia a crianças de 4 a 6 anos de idade a chance de esperar e receber duas guloseimas (ele é chamado de “O Teste do Marshmallow”, mas as guloseimas eram variadas: Kit Kats, chocolates e marshmallows.) ou apenas uma guloseima se elas não esperassem. As pessoas que demonstraram autocontrole ao longo do tempo também se saíram melhor nos testes padronizados, tiveram uma saúde melhor e mais dinheiro a longo prazo.

Mischel explicou que essas crianças tinham muitas estratégias para ajudá-las a controlar os seus desejos. Ele explicou que muitas crianças imaginavam colocar uma moldura em torno da guloseima de modo que ela não parecesse real. Ou elas as imaginavam mais distantes e menores. Essas estratégias iriam ajudá-las a esperar e receber a recompensa das duas guloseimas.

Em nossas sessões e cursos de PNL ensinamos estratégias semelhantes usando distinções de “submodalidades” de nossa experiência sensorial. Por exemplo, quando trabalhamos com um cliente que quer parar de comer ‘junk food’, nós o fazemos praticar vendo a comida ficar cada vez menor e mais distante. Outra estratégia útil para manter a distância e, portanto o autocontrole, é ser capaz de obter (ou mudar) uma perspectiva. Existem muitas técnicas de PNL em que ensinamos às pessoas como “sair fora” de uma situação e observá-la, em vez de se perder nela.

Mischel explicou que desde a década de 60, ele aprimorou a tecnologia da Neurociência para entender que parte do cérebro as estratégias ativam. Ele explicou que o córtex cerebral, que está a cargo da função executiva (planejamento e execução), localizado na parte frontal do cérebro nos ajuda a tomar decisões racionais. Ele diz que é como um sistema de resfriamento que ajuda a pessoa que está desenvolvendo a sua habilidade de autocontrole a ser mais racional e razoável. A reação oposta, e imediata, “Eu quero a guloseima”, está recorrendo à amígdala, a parte emocional do cérebro, que está localizada na parte de trás do cérebro e é a reação quente. (Para aqueles que leram “Thinking Fast and Slow” de Daniel Kahneman, o sistema frio é o pensamento lento e o sistema quente é o pensamento rápido).

Curiosamente Mischel disse que há momentos em que você deseja utilizar a reação “quente”. Por exemplo, você toma a decisão de escolher alimentos saudáveis, e talvez você coloque uma moldura em torno da sua reação a fim de ajudar a resfriar o sistema, empregando assim a sua função executiva. Entretanto ela também é importante para aquecer o seu desejo pela recompensa. É importante ter um futuro atraente que você queira para ser recompensado. Novamente em PNL nós incentivamos criar uma recompensa que seja saudável, esteja próxima e brilhante, algo que seja estimulante para a amígdala, a carga emocional, e mantenha a motivação de continuar o trabalho para alcançar o resultado.

Esse é outro aspecto da PNL que empregamos. Trabalhamos com objetivos desejados que sejam estimulantes e que ajudem a pessoa a manter a consciência das recompensas futuras. Em nosso trabalho com a Linha do Tempo exploramos como cada um de nós representa o presente e o futuro, para que possamos tornar o futuro mais importante. Nós também fazemos o que Mischel descreve como o pensamento “se-então”. Nós o rotulamos de Ponte ao Futuro, o que significa que os nossos clientes e estudantes planejam estratégias para lidar com situações de gatilho. Por exemplo, “Se meu pai é muito crítico, vou me lembrar de respirar e contar até dez”. Ser capaz de contar até dez, é confiar na paciência, o que nós rotularíamos como um recurso interno. Então ensinaríamos aos nossos clientes/estudantes como acessar a paciência. Além de planejar a situação futura e como pensar, agir ou sentir, também concordamos com Mischel, que identificar as situações de disparo dos gatilhos é útil. Isso poderá ser um excelente uso da função executiva do cérebro para começar o seu autocontrole quando um gatilho for disparado. Uma vez que você consiga controlar seus gatilhos você pode voltar a criar os seus planos “se-então”. Se um gatilho foi disparado em você para comer o que não quer, ficar na cama em vez de sair para praticar exercícios, etc., será útil relacionar por escrito o que desencadeou os seus pensamentos e estados de espírito. Para uma das minhas clientes eles eram provocados por figuras de autoridade. Ela queria usar o autocontrole em sua atitude defensiva e seu primeiro passo foi identificar quando, onde, o quê e quem disparou o gatilho.

Em PNL uma das nossas pressuposições básicas (influenciadas pelo Dr. Milton Erickson), é que temos todos os recursos de que precisamos em qualquer estágio de desenvolvimento. Mischel lista alguns recursos específicos que ele considerou como estratégias que ajudam as pessoas a continuarem a ser bem-sucedidas com o seu autocontrole e, finalmente, com os seus objetivos. Pense sobre esses recursos que foram mencionados e comece a reunir as lembranças de quando você os utilizou.

Recursos para manter o autocontrole

1. O autocontrole em si
2. Ranger os dentes
3. Entusiasmo
4. Curiosidade
5. Otimismo
6. Inteligência social
7. Gratidão
8. Consciência do futuro (esse eu acrescentei).

A próxima vez que você quiser usar o autocontrole lembre-se de um ou mais desses recursos e descubra como isso irá ajudá-lo a ser bem-sucedido para alcançar o que você quer. A sua capacidade de desenvolver as suas habilidades é que lhe permitirá ser bem-sucedido na sua vida.

Invariavelmente, haverá momentos em que você quer ser recompensado no presente. Isso faz sentido e está correto fazer assim. No entanto, se você só vive para o hoje, pode não estar incluindo um futuro brilhante. Encontre o equilíbrio e você se beneficiará do seu próprio teste marshmallow.

O artigo original "Is Self-control a Skill?" encontra-se no site: nlptraining.com

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